terça-feira, 27 de novembro de 2007

Apoio ao rádio


Apoio ao Rádio


O Ministério da Cultura vai incentivar a criação de conteúdos independentes para o rádio, a partir do próximo ano. A informação foi divulgada (21) pelo secretário-executivo Juca Ferreira, na abertura do 1º Fórum Nacional de Rádios Públicas.

“O ministério terá uma política sistemática de relacionamento com as rádios públicas e comunitárias. O rádio é um suporte estratégico para a cultura do Brasil”, disse. Ferreira adiantou que em 2008 serão lançados editais de concorrência específicos para a produção de conteúdos radiofônicos, semelhantes aos do programa DocTV, que seleciona e apóia documentários para a televisão.

O secretário-executivo do Ministério da Cultura também ressaltou que a digitalização traz novas possibilidades de comunicação, tanto para a televisão quanto para o rádio: “Isso modifica todo o ambiente de produção cultural, que pode ter um fortalecimento enorme com as novas tecnologias”.

Segundo Juca Ferreira, o papel do ministério no processo é o de motivar a produção de conteúdos que serão veiculados pelas rádios públicas e comunitárias. “Essas tecnologias abrem espaço para conteúdos e, se nós não tivermos capacidade de produzir, importaremos “enlatados” de toda parte do mundo, pois a multiplicação de canais é enorme”, alertou.

No encontro, o presidente da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub), Orlando Guilhon, também defendeu o investimento em conteúdo como uma necessidade do novo cenário que será criado a partir da convergência dos meios de comunicação, com a fusão de televisão, rádio e internet em um mesmo equipamento.

“O rádio digital trará a possibilidade de diversificar e segmentar as programações e o público. E isso coloca sobre os nossos ombros uma responsabilidade muito grande, porque nós vamos ter que ser capazes de produzir mais e melhor, em mais quantidade e melhor qualidade, até para podermos ser competitivos com aquilo que as rádios comerciais oferecem”, disse Guilhon, que também é diretor geral da Rádio MEC.

O presidente da Radiobrás, José Roberto Garcez, lembrou no encontro que o aumento da produção independente para o rádio é uma tendência que se desenha para os próximos anos. “A tecnologia digital vem possibilitando, com custos menores, que mais áreas da sociedade possam produzir o seu conteúdo. E o que cabe a nós é abrir espaços para que outros produtores de conteúdo tenham janelas para mostrar sua produção”, disse.

O 1º Fórum Nacional de Rádios Públicas discute até sexta-feira (23) os desafios das rádios públicas diante das novas tendências tecnológicas. Ottoni Fernandes Júnior, representante da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, que coordena o encontro, ressaltou que o objetivo é colher subsídios a fim de definir uma política do governo federal para rádios públicas. “Vamos precisar construir uma institucionalidade nova para as rádios comunitárias e públicas. Não é só manter as rádios que o governo já tem, mas encontrar uma maneira de integrar esses esforços em uma rede maior, com o objetivo de fornecer informação e educação de qualidade para a população brasileira”, disse o secretário-executivo.

Participam do encontro representantes de rádios públicas de outros países, como a inglesa BBC e a Rádio França Internacional (RFI). A programação do encontro pode ser obtida no endereço eletrônico http://www.radiospublicas.org.br/

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A Indústria da Música Brasileira

"A comercialização é o ponto central a impedir a modernização e o crescimento do mercado da música popular brasileira, nosso produto com maior penetração internacional".
Produto brasileiro de maior penetração internacional, único com acesso às redes globais de distribuição e à grande mídia global, a música popular brasileira ainda padece da ausência de uma política de desenvolvimento adequada.
O tema precisa ser tratado do ângulo estritamente econômico. Não é papel do Estado selecionar o que é ou não é música a ser apoiada, mas definir o marco de um ambiente microeconômico favorável, que permita o florescimento de uma indústria musical competitiva.
As vantagens competitivas da música brasileira são evidentes. Tem-se o maior e o melhor estoque de músicos instrumentais do planeta, um contingente apreciável de compositores e de composições -tanto contemporâneas como de outros tempos-, uma variedade incomparável de ritmos, da música regional ao pop, arranjadores de primeira, cantores e cantoras de nível, vários popstars de projeção internacional. Mais: com o advento da música digital, há uma produção independente sem paralelo com outros períodos. Hoje em dia, há milhares de músicos produzindo seus próprios CDs com qualidade digital, estúdios espalhados por todo o país.
O sapato pega em duas áreas: na produção propriamente dita (o que se poderia chamar de embalagem, design e promoção) e na distribuição. No caso da produção, ainda existe bastante amadorismo na MPB: capas descuidadas e pouca preocupação em saber o que o público quer -em cima do falso purismo de "não fazer concessões ao mercado". Mas a comercialização é o ponto central a impedir a modernização e o crescimento do mercado da música popular.
O mercado interno brasileiro se escora em três pilares básicos: indústria fonográfica, sistema de radiodifusão e roteiro de shows. Em geral, lança-se o disco, o sistema de radiodifusão divulga, alavancando as vendas e, depois delas, os shows. Esse modelo esbarra em alguns pontos complexos -que dependem exclusivamente do governo para serem corrigidos. O primeiro, a questão do direito autoral, um sistema pouco transparente. O segundo -e mais sério-, a indústria dos jabás (os pagamentos efetuados a emissoras para a divulgação de discos de gravadoras).
Investir em novos nomes, planejar lançamentos nacionais e internacionais e atacar nichos de mercado -tudo isso exige planejamento estratégico, capacidade de enfrentar riscos, produtores ousados e criativos, como os de outros tempos.
O jabá acabou com essa capacidade de inovação, burocratizou as grandes gravadoras, sufocou as independentes. O trabalho desses campeões da burocracia consiste em apostar naquilo que deu certo em outra gravadora e irrigar as emissoras com jabás. Cria-se uma atividade sem risco e sem oportunidades. Ou se criminaliza definitivamente essa prática -já que configura crime de direito econômico- ou não se romperá o círculo vicioso que emperra a música brasileira.
O passo seguinte consiste em identificar o que é o mercado de distribuição, tanto interna como externamente. Para mim, um bom trabalho setorial do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) sobre a cadeia produtiva da música traria mais benefícios do que qualquer lei de incentivo fiscal. Ajudaria a esclarecer os investidores, a identificar as oportunidades de negócio,
a atrair novas empresas para a área, rompendo o monopólio das grandes gravadoras. Especialmente agora que as novas formas de distribuição digital abrem perspectivas antes jamais imaginadas.
O outro passo seria a organização da informação sobre a rede de casas de espetáculos existentes em todo o país, de forma a facilitar o contato dos produtores independentes. O momento é propício porque há um contingente apreciável de grandes artistas soltos por aí, pela falta de interesse das grandes gravadoras em investir nessa área.


Por Luís Nassif

(Artigo originalmente publicado pelo sitio de discussão sobre políticas culturais, Cultura e Mercado - http://www.culturaemercado.com.br)